O interesse pelo objeto digital nem sempre vem do salto tecnológico, apoiado por um ferramental de captura, tratamento e saída, mas pelo objeto em si que acaba se tornando alheio ao próprio fim. A cada delírio individual de ruídos, luzes e cores o objeto se fetichiza mais, o que é bem próprio para o campo do design - criando objetos mais cintilantes para o mercado e tecnologias, antagonicamente, individualizantes.
Acredito que esta reflexão seja adequada para a lista de objetos digitais descrita por nós, o que me lembrou de um conto de Franz Kafka chamado Na Colônia Penal. Neste conto Kafka descreve uma horrível máquina de tortura que marca nos presos a sua falta cometida. O caso que o drama desta dor não é hora nenhuma citada, apenas a descrição técnica recitada com absoluta paixão pelo oficial. O fascínio pela máquina!
Até que ponto um celular se torna este objeto e se desvirtua da função primária de ferramenta de comunicação? Por outro lado, até que ponto a técnica desvirtua o homem do convívio mais banal em sociedade? Os apontamentos destas perguntas caí na, já canônica, dupla de solidão e individualidade extrema da contemporaneidade.
Meu interesse é neste processo, que, de certa forma, está mais próxima do campo das artes - afinal a arte é, também, uma acumulação de signos. E no eco que o “fascínio pela máquina” me provoca.
Vale a pena uma leitura no poema de Álvares de Campos: Ode Triunfal.
Enfim, é apenas uma sugestão de linha de pensamento para uma instalação.
26 de ago. de 2009
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